HD02 – O movimento dos Annales e a nova história

Durante o século XX, diversas ciências são questionadas em seus fundamentos derivados da modernidade, alargando-se suas perspectivas. A História é uma delas.

Um movimento bastante interessante que traz sérios questionamentos à historiografia ficou conhecido como Escola dos Annales, tendo surgido na França na década de 1920. Apresentaremos, sucintamente, as três gerações que o marcaram.

1ª. Geração ganha notoriedade com a publicação da revista Annales d’histoire économique et sociale, em 1929, sob comando dos historiadores Marc Bloch e Lucien Febvre.

Pouco antes, em 1924, Bloch publicou o livro Os reis taumaturgos, no qual incorpora elementos de outras áreas até então negligenciadas pela historiografia: antropologia, psicologia e sociologia.

Bloch e Febvre criticam alguns aspectos da chamada história tradicional:

  1. Haveria uma relação muito próxima entre a História e o poder, sendo ela frequentemente utilizada para legitimar dominações;
  2. Dada a proximidade acima, seu foco principal é a política, convertendo-se a História na sucessão dos governantes;
  3. Enfatizaria os indivíduos e buscaria os “grandes homens” (reis, senhores, heróis, líderes…) que transformariam as sociedades;
  4. Procuraria excessivamente demonstrar as continuidades entre os períodos e encontrar as origens dos fenômenos.

Os autores da chamada 1ª. Geração procuram superar as limitações acima abrindo-se para as outras ciências que não meramente a política e a economia. Também tentam revelar a primazia do contexto social sobre o individual e preferem uma historiografia problematizante a elaborar narrativas contínuas.

O grande nome da 2ª. Geração é Fernand Braudel, que desenvolve o conceito de longa duração: a busca pelas estruturas mais profundas do tempo histórico em detrimento de acontecimentos ocasionais. Seu estudo O Mediterrâneo e o mundo Mediterrâneo no tempo de Filipe II retrata as estruturas que aprisionam os homens.

A historiografia deve explicitar três dimensões de seu objeto:

  1. Geográfica: revelando a lentidão e a permanência de elementos;
  2. Social: demonstrando as estruturas econômicas, políticas e sociais;
  3. Individual: mostrando as manifestações da estrutura nos indivíduos.

3ª. Geração, por sua vez, passa a enfatizar a História das Mentalidades, em detrimento da economia e da estrutura social. Reafirma a influência de outras ciências, como a citada psicologia e a filosofia da linguagem. Destacam-se Ladurie e Peter Burke.

Relativamente à História do Direito, podemos nos inspirar na Escola dos Annales para buscar compreender a estrutura dos fenômenos jurídicos em relação com a estrutura social do período histórico, focando na longa duração dos acontecimentos, sem grandes preocupações com a sucessão de datas e eventos menores.

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